Os papéis que representamos


Assim que começamos a usar máscaras para reforçar os nossos egos, passamos o resto das nossas vidas a representar papéis.
Há papéis para novos e velhos, conduzidos pelas expectativas sociais de que, quando envelhecemos, nos devemos comportar de maneira diferente de quando éramos novos e brincalhões.  

O que aconteceria se todos tirássemos as nossas máscaras e fizéssemos o melhor trabalho possível, sem fingir ser algo que não somos? Fecharemos menos acordos ou inventaremos menos? Não me parece.

É o trabalho que fazemos e não a máscara que usamos que nos faz seguir em frente. Num mundo onde não existissem egos e onde não importasse a maneira como os outros nos veem, dedicar-nos-íamos a fazer o melhor possível e a atingir os melhores resultados, independentemente de como os outros nos vissem.
Embora o ego de um profissional assente em fazer com que o trabalho pareça árduo, muitas vezes os melhores resultados obtêm-se fazendo muito pouco. Quando a necessidade de fingir desaparece, os melhores profissionais acabam, muitas vezes, por ser aqueles que nem sequer representam papel nenhum.

Reza a história que um velho professor na Índia era visitado por muitos dos seus estudantes anos após terem deixado de ser seus alunos. 
Contavam-lhe como tinham alcançado o sucesso na vida e mostrava gratidão para com o seu querido mestre. Depois, naturalmente falavam também das pressões a que estavam sujeitos e do stress em que vivam, para conseguirem continuamente ir de encontro às expectativas dos seus superiores. O sucesso não os tornava mais felizes.
Enquanto falavam, o professor levantava-se para preparar um grande bule de café, regressando com um tabuleiro com uma grande variedade de chávenas. Pedia aos seus alunos que escolhessem a chávena e que eles próprios se servissem, enquanto contavam os seus feitos.
Quando voltavam a sentar-se, o professor elogiava a chávena que tinham escolhido, mas que o que verdadeiramente todos queriam era o café. Independentemente da chávena, o café era igual para todos.
Dizia-lhes que a moda, o estatuto social, a imagem, os bens que possuem e a aceitação social estavam representados na chávena, e que a vida era o café.
Porque tentamos tão arduamente bebê-lo por uma chávena bonita, quando o que queremos realmente é um bom café?
Se quiserem uma vida sem stress, aconselhava o mestre, ignorem a taça e limitem-se a desfrutar do café.

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